terça-feira, abril 30

Exposição bíblica: Quem é o pecado?

A primeira pergunta que devemos fazer sobre pecado não é sobre seu plural, mas sobre sua raiz, não o que é pecado, mas quem é o pecado. 

- Exporemos o conceito teológico e prático -

O que é pecado?
Porque é pecado?
É pecado porque Deus assim decidiu?
Como definir o que é pecado e o que não é?
Podemos viver sem pecar?
O que é viver sem pecar?



terça-feira, agosto 21

Não é uma falha que nos tira de Deus, é uma vida // Anderson


Não é uma falha que nos tira de Deus, é uma vida...


Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito. 
1 Coríntios 6:17

"Com Ele" o pecado é um acidente // 

Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. "SE", porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. 1 João 2:1

"Sem Ele" o pecado é um estado. Portanto, uma constan
te [...] que revela nosso divórcio para com Ele //

Todo aquele que nele permanece não está no pecado. Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu.
Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.
Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo. 
1 João 3:6-8

"Nele" nascemos para uma nova vida, a própria vida que Deus providenciou em si mesmo e nos edifica em Cristo a partir Dela //

Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. 
1 João 3:9

Anderson

segunda-feira, agosto 6

Provérbios de um discípulo // 68 //

Obter a fé é uma experiência pessoal, amadurecer a fé é uma realidade coletiva...

O amadurecimento da nossa fé não pertence ao tempo ou ao acaso [...] mas à intimidade com o Senhor e sua Palavra, à mentoria de homens piedosos, dialogo e intercâmbio geracional com homens santos em vida familiar e prática ministerial.

Nossa fé não pode ser baseada em experiência pessoal, mas no conceito definido pelas escrituras...

Santidade é uma realidade constante de vida de Deus em nós [...] quando nos deparamos com a revelação da majestade de Cristo, quando somos impactados por êxtase e maravilha através da visão correta de quem Ele é, passamos a nos conhecer Nele... assim descobrimos que santidade não é o que fazemos ou deixamos de fazer por nossa própria capacidade, percebemos e experimentamos que a vida que recebemos através de Jesus passa a reagir e a corresponder ao caráter Santo de Deus.

Santidade passa a ser um estilo de vida que adora à Deus com os olhos abertos...

Quem não possui a capacidade de ser mentoreado fará a obra do Senhor desequilibradamente...

Seriedade sexual evita danos na vida social das pessoas...

Se não vai comprar não abra o pacote...

Santidade não é uma prática, é um estado...

Santidade é adorar à Deus com os olhos abertos...

Só podemos chamar de espiritualidade cristã aquilo que é fruto de novo nascimento [...] e conformidade com Cristo.

A teologia dos homens é a da prosperidade, a teologia de Deus é a da igualdade...

A atitude de submissão a Deus e aos irmãos definem a qualidade de um ministério. 

O contrário é a realidade da maioria de nós como obreiros...

Vejo os evangélicos mancharem para Jesus há muito tempo... e não os vejo chegar a lugar algum a não ser em outra marcha...

Métodos e estratégias para a proclamação do Evangelho são válidos [...] desde que entendamos que eles não são o Evangelho.

Ser contra a homossexualidade não faz com que nossa heterossexualidade seja algo que Deus aprouve...

Nós cristãos abordamos a homossexualidade como pecado no mesmo entendimento que chamamos castidade de santidade...

Nós cristãos abordamos a homossexualidade como pecado no mesmo entendimento que chamamos castidade de santidade... precisamos ir além, não estamos lindando com produtos e rótulos, precisamos de amor e muito temor para lidar com o motivo do sacrifício vicário: O homem

A falta de intimidade e cumplicidade de um casal em seu leito conjugal é a expressão de que não existe intimidade em nenhum outro aspecto da relação...

Alguns cristãos são tão infelizes na abordagem de assuntos que se referem a homossexualidade, como se a heterossexualidade fosse a garantia da Salvação.

Santidade revela o amor, a graça e o caráter de Cristo, 

ser santo é está totalmente envolto pela beleza do Evangelho...
Não podemos confundir santidade com um cadeado que prende nossos impulsos, mas não tem poder para mudar nosso coração; santidade é um estado do ser, uma realidade que revela os céus... santidade está longe de ser uma lista de não "faço".


quarta-feira, junho 27

Uma condição antinatural - A.W Tozer



Outro pecado que representa uma carga pesada para o homem é a artificialidade. Acredito que a maioria das pessoas vive com um receio intimo de que algum dia acabarão se descuidando e, talvez, um amigo ou inimigo consiga ver o interior de suas almas vazias e pobres. Dessa forma, elas vivem numa constante tensão. As pessoas mais inteligentes vivem preocupadas e alertas, com medo de serem levadas a dizer algo que pareça vulgar ou estúpido.  As viajadas receiam encontrar algum Marco Polo que lhe fale de algum lugar remoto, onde jamais estiveram.
           
Essa condição antinatural faz parte de nossa triste herança de pecado; em nossos dias, entretanto, o problema é agravado pelo nosso modo de viver. A propaganda baseia-se quase inteiramente nesse hábito de preocupar-se com a aparência externa. 

Tozer

Homossexualidade - Batalha pela autoridade moral - Rick Joyner



Se crermos que a Bíblia é a Palavra de Deus, devemos entender que a homossexualidade é pecado. Então temos que perguntar: A Igreja deve tolerar o pecado? Agora fica um pouco mais difícil. A maioria de nós aindaestá lutando com alguns problemas que teriam que cair na categoria de pecado. Explosões de raiva e contenda estão listadas junto com imoralidade, a idolatria efeitiçaria como obras da carne em Gálatas 5.19-21. Se tentarmos remover todos da Igreja que tenham problema com a raiva, não sobrariam muitas pessoas.

Entretanto, o Senhor não chamou todo pecado na Bíblia de abominação e perversão como fez com a homossexualidade. Ele chamou de abominações apenas aqueles pecados que especialmente corrompem e são destrutivos. A homossexualidade cai nessa categoria. O Senhor destruiu Sodoma por esse pecado, e existe um ponto em que o Senhor julgará uma nação pela difusão deste pecado por causa da sua influência em corromper.

Paulo chamou o homossexualismo de pecado contrário à natureza em Romanos 1.26, e ele prometeu que aqueles que o praticarem receberiam em si mesmos, a merecida punição do seu erro. A AIDS é um exemplo óbvio desta penalidade. Biblicamente, podemos ver que a maioria das pragas tem origem no plano espiritual, como resultado do pecado espalhado. As características da praga geralmente refletem o pecado que a liberou. A AIDS é um vírus quecausa a destruição do sistema imunológico, ou das defesas do organismo. A homossexualidade e outras formas de perversão são a causa da liberação da AIDS, e aqueles pecados realmente destroem as defesas da sociedade contra o mal em todas asformas.

Rick Joyner

Deus ama os gays - Rick Joyner




Então, como a Igreja responde aos homossexuais? Amando-os!
Ame-os porque Deus os ama. Ele deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.4).

Deus é amor, e até seus juízos são um resultado do seu amor –são sua última chamada para o arrependimento para que eles possam ser salvos. A Igreja não terá qualquer autoridade verdadeira sobre este problema a menos que ame aqueles com o problema.

Isso significa que devemos simplesmente abrir as nossas Igrejas, escolas e famílias para a influência dos homossexuais? Não. O homossexualismo é uma ameaça genuína para o próprio fundamento da nossa ordem social. Ele também se tornará uma ameaça cada vez mais rude para nossa liberdade religiosa, que é a maior ameaça desse determinado pecado. Mesmo assim, devemos lembrar que satanás não expulsará satanás. Se o nosso confronto com esse pecado não estiver no espírito certo, então estaremos multiplicando o poder do mal que estamos procurando expulsar. Isto pode ser um choque, mas a Igreja também tem que se arrepender da sua parte em ser a principal causa da liberação do homossexualismo na sociedade.

Rick Joyner

Homos Secta Rismo - Rick Joyner





Existe um homossexualismo espiritual do qual a Igreja deve se libertar se desejamos ter autoridade espiritual sobre esse pecado. O homossexualismo espiritual é ter relações apenas com nossa própria espécie, que é sectarismo.

Uma raiz da homossexualidade é o medo da rejeição, que empurra a pessoas na direção do isolamento e da compulsão para estar distante dos que são diferentes. Homens e mulheres representam as diferenças humanas supremas, e quase todos tem que superar o medo da rejeição a fim de cruzar a ponte para um relacionamento com o outro sexo. O mesmo é verdade na Igreja – é a insegurança de muitos na liderança que faz com que eles impeçam qualquer espécie de relacionamento com aqueles que são diferentes. Isto resulta em sectarismo,que é uma forma sutil do homossexualismo espiritual.

Uma chave importante para a libertação daqueles que estão na escravidão do homossexualismo é não os rejeitar, mas amá-los e aceitá-los – não o seu pecado, mas a eles.

Rick Joyner

sexta-feira, junho 1

Culpados em Adão - João Calvino


Não é necessária, para a compreensão desta matéria, a angustiante discussão que tanto atormentou aos antigos: se, uma vez que nela reside capitalmente o contágio, a alma do filho procede da alma paterna por derivação. A nós nos convém estar contentes com isto: haver o Senhor depositado em Adão aqueles dotes que quis conferir à natureza humana. Portanto, quando perdeu os dotes recebidos, aquele os perdeu, não apenas por si só, mas também por todos nós.

Quem haverá de estar preocupado acerca da derivação da alma, ao ouvir que esses adereços que veio a perder, Adão os recebera não menos para nós que para si próprio; que eles foram conferidos não a apenas um homem, ao contrário, foram atribuídos a toda a natureza do homem? Portanto, nada há de absurdo se, despojado este, a natureza é deixada desnuda e carente; se aquele, manchado pelo pecado, o contágio serpeia na natureza. Daí, da raiz putrefata brotaram ramos pútridos, que transmitiram sua podridão aos outros rebentos que nasceriam deles.

Ora, os filhos foram de tal modo corrompidos no genitor que vieram a ser transmissores da corrupção aos netos, isto é, de tal molde foi o princípio da corrupção em Adão que dos ancestrais se transmite aos pósteros em uma corrente perpétua. Pois o contágio não tem sua causa na substância da carne ou da alma. Pelo contrário, porque fora assim por Deus ordenado, que os dons que concedera ao primeiro homem, ele, a um tempo, os possuísse e os perdesse, tanto para si, quanto para os seus.

Refuta-se, porém, facilmente o que os pelagianos sofismam, a saber, não é verossímil que de pais piedosos os filhos derivem corrupção, quando, antes, devem ser santificados pela pureza deles. Ora, não descendem da regeneração espiritual, mas da geração carnal. Daí, como diz Agostinho: “Quer um infiel culposo, quer um fiel inculpável, um e outro não gera inculpáveis, mas culposos, porque os gera de natureza corrupta.”

Com efeito, o que, de certo modo, lhes comunicam à santidade é bênção especial do povo de Deus, bênção que, no entanto, não faz com que não prevaleça aquela primeira e original maldição da raça humana. Pois, a culposidade provém da própria natureza; a santificação, contudo, procede da graça supernatural.

Qual é a essência do pecado? - J. I. Packer





Em termos positivos, qual é a essência do pecado? BRINCAR DE DEUS. E, como um meio para tanto, recusar-se a permitir que o Criador seja Deus, até onde estiver envolvido aquele que assim agir. A atitude que é a essência do pecado consiste em viver, não para Deus, mas para si mesmo; amar, servir, e agradar a si mesmo, sem importar-se com o Criador. Consiste em tentar ser tão independente de Deus quanto possível, colocando-se fora do alcance de sua mão, mantendo-O afastado, conservando as rédeas da vida em suas próprias mãos, agindo como a própria pessoa e os seus prazeres fossem a finalidade para a qual as demais coisas, incluindo Deus, existissem.

O pecado é a exaltação de si mesmo contra o Criador, evitando prestar a homenagem que Lhe é devida e pondo-se no lugar dEle como padrão final de referência, em todas as decisões da vida. Agostinho analisou o pecado como orgulho (superbia"), aquela louca paixão de ser superior até mesmo a Deus, como um estado de espírito afastado de Deus para uma atitude de auto-absorção ( Homo incurvatus in se). Assim, o pecado é a imagem do diabo, pois o orgulho outro-exaltado foi o sei pecado antes que se tornasse o nosso (1Tm 3.6).

Todos esses elementos estavam embrionariamente contidos no primeiro pecado humano, que consistiu em entregar-se à tentação de ser "como Deus" (Gn 3.5). Paulo nos mostra que o pecado começou quando os homens, "tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (Rm 1.21). Ele mesmo nos oferece a mais precisa análise do espírito do pecado contida na Bíblia, ao dizer que "o pendor da carne (a mente e o coração do pecador não-regenerado) é inimizade contra Deus" (Rm 8.7) - descontentamento para com o seu governo, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com sua Palavra; tudo expresso por meio da determinação fixa e inalterável de seguir a sua própria independência, em desafio ao Criador. O substantivo abstrato "inimizade" intensifica a idéia, como se Paulo houvesse dito "essência da inimizade", ou então "inimizade pura".

Dessa atitude de autodeificação brotam atos de autodeterminação contra Deus e nossos semelhantes: atos de irreligiosidade, no primeiro caso; atos de desumanidade, no segundo caso. Um ser que desprezou o primeiro grande mandamento - amarás a Deus com todas as tuas forças - dificilmente poderia mostrar muito respeito para com o segundo - amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Disso deriva-se o espírito do pecado, que destroça as relações entre o homem e o seu Criador e também destrói a sociedade humana. Paulo nos apresenta três formas características em que essa ação destruidora se manifesta (Rm 1.26-31; Gl 5.19-21 e 2Tm 3.2-4).

O que o pecado te deu? - C. H. Spurgeon



Agora, pois, que lucro terás indo ao Egito para beberes as águas do Nilo...?

Jeremias 2.18



Por meio de uma variedade de milagres, misericórdias e livramentos, Jeová comprovou ser digno da confiança de Israel. Apesar disso, os israelitas abandonaram seu Deus vivo e verdadeiro e serviram os deuses falsos. O Senhor os reprovou constantemente por sua infidelidade. Este versículo apresenta uma ocasião em que Deus argumentava com os israelitas: "Que lucro terás indo ao Egito, para beberes as águas daquele rio barrento?" Esta afirmação poderia ser traduzida assim: "Por que vocês vagueiam tão longe e deixam a própria fonte refrescante que procede do Líbano?

Por que vocês se encontram tão presos ao erro, que não podem se contentar com aquilo que é bom e saudável; em vez disso, seguem aquilo que é mau e enganoso?" Esta é uma palavra de advertência para o crente?


Ó verdadeiro crente, chamado pela graça e lavado no sangue de Cristo, você já provou uma bebida melhor do que as águas barrentas do rio dos prazeres que este mundo pode oferecer. Você tem desfrutado da comunhão com Cristo, da alegria de ver Jesus e de repousar sua cabeça sobre o peito dEle. Diante disso, as músicas, as honras e os divertimentos deste mundo lhe proporcionam satisfação? Você já comeu o pão dos anjos; pode agora viver de cascas?

O bondoso Rutherford disse: "Já saboreei o maná do próprio Cristo; e este maná removeu de minha boca o gosto pelo pão das alegrias deste mundo". Isto também deve acontecer com você. Se você está procurando as águas do Egito, retorne imediatamente à única fonte de água viva. As águas do Nilo podem agradar os egípcios, mas lhe oferecerão apenas amargor. Por que você as procura?

segunda-feira, maio 28

A Identidade da Morte // Arthur



Quando se falar em morte, a primeira, e mais esperada, reação de qualquer ouvinte é o
espanto, seguida de um profundo medo do próprio termo morte. Essa palavra passou a ser
evitada por muitos, demonstrando um medo que se dá, senão, pela falta de compreensão do
seu significado e pela falta de entendimento do que de fato é a morte.

A palavra hebraica para morte aparece cento e cinqüenta vezes no antigo testamento
(150) é encontrada pela primeira vez na bíblia no segundo capitulo de Genesis no versículo 17 (Gn 2 :17 ) onde Deus afirma a Adão que ele certamente morreria se comesse do fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal.

17 - mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:17.

Acontece contudo que Adão junto com sua mulher aparentemente não morrem ao comer do fruto. E uma vez que nos lembramos que Deus não pode mentir, somos levados a questionar o que de fato é a morte. E ao ato que nos dispomos a entender e nos questionamos
acerca disso compreendemos que a morte por si só não é nada, ela não é significada por si só, mas, se resume em ser a ausência da vida.

Se compreendemos que assim como a sombra e a ausência da luz, a morte é a ausência
da vida, nos somos levado a perguntar uma das mais fundamentais perguntas que podem ser
feitas. O que é a vida? E a resposta para essa fundamentalmente importante pergunta pode ser encontrada no mesmo capitulo de gênesis em alguns versículos anteriores, mais
especificamente no versículo sete (Gn 2:7).

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. Gênesis 2:7

Está descrito nesse versículo que a existência do homem foi formada, e nisso podemos
compreender que as sua funções orgânicas e biológicas passaram a existir, e que o próprio
homem passou a existir, contudo existir não é viver, e mesmo existindo e possuindo forma o
homem não vivia. O homem somente passou a viver, e a ser chamado de ser vivente quando
tomou sobre si o fôlego da vida que lhe foi soprado pelas narinas. Esse mesmo fôlego da Vida, e chamado de Zoe, descrito e entendido como essência, essência essa que é revelada a identificado no livro de João capitulo um. ( Jo 1:1-5)

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. 
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
João 1:1-5

A identidade do Zoe, a identidade da vida é resumida em Jesus, Jesus é a fala perfeita, a
expressão exata do Altíssimo, Jesus é essa essência que foi perdida. Ele é o fôlego da Vida, ele é o caminho, ele é a verdade, ele é a própria Vida.

Uma vez que temos a resposta e revelação e que Jesus é a Vida, e lembrando de que
a morte é a ausência da vida entendemos que a morte é a ausência de Jesus. A morte é a
ausência da expressão de Deus, essa é a identidade da morte.

Mas como a morte se deu? A palavra hebraica para morte é mawềt ( ) tem como
significado primário “separação”. E na sua raiz aramaica está unida termologicamente a palavra pecado. A morte surgiu do pecado, ela foi, como Tiago fala (Tg 1: 12-15), concebida do pecado. 

E desde Adão separou o homem de Deus sendo naturalmente a atual situação do homem,
morto, separados e ausentes da essência de Deus.

Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.
Tiago 1:12-15

Separados e ausentes de Deus, mortos. Existimos vazios, vazio esse que é perceptível e
mesmo que incompreendido se faz presente. Graças a Deus pela sua infinita misericórdia que nos dá a possibilidade de nos libertarmos desse corpo de morte. Jesus que é a vida, a muito perdida veio e se fez carne, nos oferecendo pelo seu sacrifício a possibilidade de reavermos aquilo que a muito nos foi tirado. O fôlego da Vida, a essência de Deus. Somente quando compreendemos que somos mortos, e entendemos a morte conseguimos ver e claramente o papel de Jesus como vida, que nos preenche, e nos retoma para nosso estado original na criação.

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. 
Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
Romanos 5:12-21

Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência,
entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo {pela graça sois salvos}, e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus,
para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo
Jesus.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que
andássemos nelas.
Efésios 2:1-10

quarta-feira, maio 16

Nele somos justiça de Deus – C. H. Spurgeon





“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.21)


Cristão lamuriento! Por que está chorando? Está se lamentando de sua própria corrupção? Olhe para seu perfeito Senhor e lembre-se: você está completamente nEle; você é, aos olhos de Deus, tão perfeito como se nunca tivesse pecado; não, mais do que isto, o Senhor Justiça Nossa colocou uma veste divina em você, de modo que você tem mais do que a justiça do homem - tem a justiça de Deus.

Você que está se lamentando em razão do pecado congênito e da depravação, lembre-se: nenhum de seus pecados pode condená-lo. Você aprendeu a odiar o pecado; mas também aprendeu a saber que o pecado não é seu - ele foi lançado sobre a cabeça de Cristo. Sua posição não está em você - está em Cristo; sua aceitação não está em você, mas em seu Senhor; você é perfeitamente aceito por Deus hoje, com toda a sua pecaminosidade, como será quando estiver diante de seu trono, livre de toda corrupção.

Oh! suplico-lhe, apegue-se a esta idéia preciosa: perfeição em Cristo! Pois você é “completo nEle”. Com a veste do seu Salvador, você é santo como Aquele que é Santo. “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Romanos 8.34). Cristão, regozije-se em seu coração, pois você é “aceito no Amado” - o que você tem a temer? Permita que seu rosto sempre estampe um sorriso; viva perto de seu Mestre; viva nos subúrbios da Cidade celestial; pois logo, quando seu tempo chegar, você subirá aonde seu Jesus está sentado e reinará à sua mão direita; e tudo isto porque o Senhor divino “o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

quarta-feira, maio 9

Quarta // o outro lado da moeda...


E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. Marcos 2:17


Abordaremos o outro lado da moeda...


Quando citamos esse verso pensamos automaticamente em pessoas que julgamos "santas" e as tratamos como hipócritas, e quando nos referimos aos doentes e pecadores pensamos em "irmãos" que voluntariamente vivem na prática do pecado mas são auto-comiserativas, e ambas estão erradas.


O que significa ser SÃO?
Quem são os doentes?
O que significa ser Justo?
O chamado
Os pecadores
E o arrependimento


Te esperamos...
beijão!


sexta-feira, abril 27

A Regeneração (inédito, de J.C.Ryle)



6º capítulo do livro “Nós Desatados”
De J.C.Ryle
1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra em Liverpool



Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.(João 3: 3.)



A regeneração é um dos assuntos mais importantes de todos os tempos. As seguintes palavras do nosso Senhor Jesus Cristo a Nicodemos são muito sérias. Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (João 3: 3.) O mundo passou por muitas mudanças desde que essas palavras foram pronunciadas. Mil e oitocentos anos se passaram. Impérios e reinados surgiram e caíram. Grandes e sábios homens nasceram, trabalharam, escreveram e morreram. Mas ali está a lei do Senhor Jesus, que permanece inalterada. E assim continuará, mesmo que céus e terra passem: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.

Mas o assunto de hoje é de importância peculiar aos membros da Igreja da Inglaterra[1] Muitas coisas se passaram nos últimas anos, as quais chamaram para si uma atenção especial. A mente dos homens está cheia dela e seus olhos a fixam. A regeneração tem sido discutida nos jornais. A regeneração tem sido falada em sociedades privadas. A regeneração tem sido debatida nas cortes da lei. Certamente esse é o tempo em que todo verdadeiro clérigo deve examinar-se a si mesmo neste quesito, e ter certeza de que suas opiniões estão sólidas. É chegado o tempo em que não podemos nos balançar entre duas opiniões. Devemos conhecer o que defendemos. Devemos estar prontos para explicar nossas crenças. Quando a verdade é atacada, aqueles que a amam devem agarrá-la mais firmemente do que nunca.

Proponho nesse papel atentar para três questões:

I. Primeiro, explicar o que é Regeneração, ou o que nascer de novo significa.
II. Segundo, apresentar a necessidade da Regeneração.
III. Terceiro, expor os sinais e as evidências da Regeneração.

Se conseguir esclarecer esses três pontos, terei prestado um grande serviço aos meus leitores.

I. Primeiro, explicar o que é Regeneração, ou o que nascer de novo significa.
Regeneração é a mudança no coração e na natureza humanos pela qual um homem passa quando ele se torna um verdadeiro cristão.

Não há dúvida alguma de que existe uma imensa diferença entre aqueles que professam e os que se autointitulam cristãos. Por trás de toda disputa, existem sempre duas classes de cristãos aparentes: os que são cristão apenas no nome e na forma e os que são cristãos em obras e em verdade. Nem todos os judeus eram realmente judeus, assim como nem todos os cristãos são realmente cristãos. “Na igreja manifesta”, afirma um artigo da Igreja da Inglaterra, “o mau estará sempre misturado ao bom".

Alguns, como o Artigo 39 declara, são “ruins e estão isentos de uma fé viva", outros, ainda conforme o artigo diz, são feitos conforme a imagem do único filho de Deus, Jesus Cristo, e caminham corretamente em boas obras. Alguns adoram a Deus de forma pífia, outros O fazem em espírito e em verdade. Alguns dão seu coração a Deus, outros o dão ao mundo. Alguns acreditam na Bíblia e vivem conforme suas ordenanças, outros, não. Alguns pecam e condoem-se por isso, outros, não. Alguns amam o Cristo, confiam nEle e servem-nO, outros, não. Resumindo, como pregam as Escrituras, alguns andam pelo caminho estreito, outros, pelo largo; alguns são os bons peixes da rede do Evangelho, outros, os ruins; alguns são o trigo no campo de Cristo, outros, o joio.[2]

Acredito que homem algum, estando ele com os olhos bem abertos, deixará de enxergar isso, tanto na Bíblia quanto no mundo que o rodeia.  Seja lá o que ele pense sobre o assunto que escrevo, ele não pode simplesmente negar que existe uma diferença.

Agora, qual é a explicação dessa diferença? Respondo sem hesitar: regeneração ou nascer de novo. Respondo que verdadeiros cristãos são como são porque foram regenerados, e cristãos formais são como são porque não são regenerados.  O coração do cristão foi verdadeiramente mudado.  Já o coração do cristão apenas no nome, não sofreu alterações. A mudança no coração faz toda a diferença.[3]

Tal mudança no coração é continuamente relatada na Bíblia, sob vários emblemas e figuras.

Ezequiel identifica-a por "tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne” e "dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo." (Ezequiel 11:19; 36:26.).

O apóstolo João algumas vezes a chama por “nascido de Deus”, outras vezes por “nascido de novo" e, ainda, por "nascido pelo Espírito" (Jo 1:13, 3:3,6.).

O apóstolo Pedro, em Atos, chama de “arrependei-vos e convertei-vos.” (At 3:19.).

A epístola aos Romanos fala sobre ela como sendo “ressurretos dentre os mortos." (Rm 6: 13.).

A segunda epístola aos Coríntios chama de “nova criatura:  as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Co 5: 17.).

A epístola dos Efésios fala sobre ela como a ressurreição juntamente com Cristo:  Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2: 1); como “despojeis do velho homem, que se corrompe, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade (Ef. 4: 22, 24.).

A epístola dos Colossenses chama por “uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos; e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou(Cl 3: 9, 10.).

A epístola de Tito chama de “o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” (Tt 3: 5.).

A primeira epístola de Pedro fala sobre isso como “daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz.” (I Pe 2: 9.).

E a segunda epístola, como “coparticipantes da natureza divina (II Pe 1: 4.).

A primeira epístola de João chama por “passamos da morte para a vida.” (I Jo 3: 14.).

Todas essas expressões, no final, significam a mesma coisa.  Elas todas são a mesma verdade, apenas vistas de lados diferentes.  E todas têm o mesmo e único significado.  Elas descrevem a mudança radical do coração e da natureza humana – uma perfeita mudança e transformação do interior humano - uma participação na ressurreta vida de Cristo; ou, tomando emprestadas as palavras do Catecismo da Igreja da Inglaterra, "Uma morte para o pecado e um novo nascimento para a retidão."[4]

Essa mudança no coração do verdadeiro cristão é perfeita e completa, tão completa que nenhuma outra palavra se encaixaria tão perfeitamente do que "regeneração” ou “novo nascimento”. Sem dúvida alguma não é nenhuma alteração corporal, externa, mas, indubitavelmente, uma alteração por completo no interior humano.  Ela não adiciona nenhuma outra faculdade mental ao homem, mas certamente dá uma nova disposição e inclinação às capacidades que ele já possui. Seu querer é tão novo, seu gosto é novo, suas opiniões são novas, sua forma de ver o pecado, o mundo, a Bíblia, o Cristo é tão nova, que ele se torna um novo homem em todas as suas intenções e propósitos. Tal mudança faz surgir um novo ser. Pode muito bem ser chamado de “nascido de novo”.

Essa mudança não é sempre dada aos cristãos ao mesmo tempo em que se convertem.  Alguns nascem de novo ainda crianças e parecem, assim como Jeremias e João Batista, preenchidos com o Espírito Santo já desde o ventre de suas mães.  Alguns nascem de novo numa idade mais avançada.  A maior parte dos Cristãos provavelmente nasce de novo depois que crescem. Já a vasta multidão de pessoas, e isso é de recear, chega à cova sem nem mesmo ter nascido de novo.

Essa mudança no coração nem sempre começa da mesma formanaqueles que passam pelo novo nascimento depois que crescem.Com alguns, como o apóstolo Paulo e o carcereiro em Filipo, foi uma mudança súbita e violenta, ocorrida com grande aflição de espírito. Com outros, como Lídia e Tiatira, foi mais suave e gradual: seus invernos tonaram-se primavera de forma quase imperceptível por elas. Com alguns a mudança é trazida pelo Espírito trabalhando através de aflições e visitas providenciais.Com outros, e provavelmente aqui se encontra o grande número de verdadeiros cristãos, a Palavra de Deus, pregada ou escrita, é o meio pelo qual são influenciados.[5]

Essa mudança só pode ser conhecida e discernida pelos seus frutos. Seus começos são algo escondido e secreto. Não podemos vê-los. Nosso Senhor Jesus Cristo nos diz da forma mais clara: O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3: 8.) Saberíamos se estivéssemos regenerados? Devemos tentar responder à questão examinando o que sabemos sobre os efeitos da regeneração. Esses efeitos são sempre os mesmos. Os caminhos pelos quais verdadeiros cristãos são levados, passando por grandes mudanças, certamente são vários. Mas o estado do coração e da alma para o qual eles são levados é sempre o mesmo. Pergunte-os o que eles acham sobre o pecado, Cristo, santidade, o mundo, a Bíblia e a oração e você os verá como uma única mente.

Essa mudança nenhum homem pode dar a si mesmo ou a outro.  Isso seria tão razoável quanto esperar que os mortos se levantassem ou pedir para que um artista desse vida a uma estátua de mármore.Os filhos de Deus "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1:13). Algumas vezes a mudança é designada por Deus, o Pai: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança." (I Pe 1:3). Algumas vezes atribuída a Deus, o Filho: O Filho vivifica aqueles que (Ele) quer.” (Jo 5: 21.) Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dEle.” (I Jo 2: 29.) Algumas vezes é atribuída ao Espírito Santo, e Ele é, verdadeiramente, o grande agente pelo qual ela é sempre efetuada: “O que é nascido do Espírito, é espírito.(Jo : 6.) Mas o homem não tem poder algum para trabalhar na mudança. Algumas vezes ela está longe, muito longe de seu alcance. “A condição do homem depois da queda de Adão,” diz o décimo artigo da Igreja da Inglaterra, "é tamanha que ele não pode mudar-se a si mesmo pela sua própria força e trabalho, mas pela fé e clamando por Deus”.  Nenhum ministro na terra pode dar graça a alguém de sua congregação pelo seu próprio juízo.  Ele pode pregar tão verdadeiramente e fielmente quanto Paulo e Apolo, mas de Deus “veio o crescimento" (I Co 3: 6.) Ele pode batizar com água no nome da Trindade, mas a não ser que o Santo Espírito acompanhe e abençoe a ordenação, não haverá morte para o pecado, tampouco nascimento para a retidão. Apenas Jesus, a Cabeça da Igreja, pode batizar com o Espírito Santo. Abençoados e felizes são aqueles que têm tanto o batismo interno quanto o externo.[6]

Acredito que o relato precedente da Regeneração seja bíblico e correto. É essa mudança de coração que distingue a marca de um verdadeiro cristão, a companhia invariável de uma fé justificada em Cristo, a inseparável consequência de uma união vital com Ele e a raiz e o princípio de uma santificação do corpo. Peço a meus leitores que ponderem bem antes de irem mais além. É de extrema importância que nossas visões estejam claras nesse ponto, sobre o que a regeneração verdadeiramente é.

Eu sei bem que muitos não permitirão que a Regeneração seja aquilo que eu acabei de descrever.  Eles dirão que a sentença que acabei de dar é, por definição, muito forte.  Alguns defendem que Regeneração significa apenas o acesso a um estado de privilégios eclesiásticos ao tornar-se membro da igreja, mas que não significa uma mudança no coração.  Alguns nos dizem que um homem regenerado tem certo poder dentro dele que o permite arrepender-se e acredita que seus pensamentos se encaixam, mas que ainda precisa de uma mudança mais ampla a fim de tornar-se um verdadeiro cristão.  Alguns dizem que há diferença entre regeneração e nascer de novo.  Outros dizem que há diferença entre nascer de novo e conversão.

A tudo isso, tenho uma simples resposta, ei-la: não consigo encontrar tal forma de regeneração falada em qualquer lugar da Bíblia. A regeneração que significa apenas admissão a um estado de privilégio eclesiástico pode ser antigo e primitivo, pelo que eu saiba. Mas algo mais do que isso é preciso. Alguns textos claros da Escritura são necessários, e tais textos ainda precisam ser encontrados.

Essa noção de regeneração é completamente inconsistente com o que João nos dá em sua primeira epístola. Ela torna necessária a invenção de uma teoria ineficaz de que existem duas regenerações, e é altamente calculada com o intuito de confundir as mentes de pessoas sem conhecimento e introduzir falsas doutrinas. É um conceito que parece não corresponder a solenidade com a qual nosso Senhor introduz o assunto a Nicodemos. Quando Ele disse “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”, Ele quis se referir que não poder ver o reino de Deus o que não é admitido para um estado de privilégio eclesiástico? Certamente Ele quis dizer muito mais do que isso. Tal espécie de regeneração um homem pode ter, como Simão, o Mago, e, mesmo assim, nunca ser salvo. Essa regeneração ladrão arrependido jamais poderia ter sentido ou experimento, mas mesmo assim, se acha ao Reino de Deus. Com certeza Ele quis dizer uma mudança de coração. Quanto à ideia de que existe alguma distinção entre ser regenerado e ser nascido de novo, essa não terá investigação. É de senso comum entre todos os que conhecem grego, que essas duas expressões significam a mesma coisa.

Para mim, realmente, parece existir muitos conflitos de ideias e apreensões indistintas na mente humana quanto a essa questão - o que a regeneração realmente é - e todas surgindo simplesmente por não aderirem à Palavra de Deus. Que um homem é admitido a um estado de grande privilégio quando ele se torna membro de uma pura Igreja de Cristo, isso eu não nego em momento algum.Que sua alma está numa posição muito melhor e bem mais vantajosa do que se não pertencesse à igreja, isso eu nem sequer questiono. Que uma larga porta foi aberta perante sua alma, a qual não é posta diante do pagão, isso eu posso claramente ver.Mas em momento algum vejo a Bíblia nomeando esse acontecimento como Regeneração. E não encontro um único texto na Escritura que autorize tal suposição. É muito importante na teologia distinguir as coisas que se diferem. Os privilégios na Igreja são uma coisa; a Regeneração, outra. Quanto a mim, não ouso confundi-las.[7]

Estou bem ciente de que grandes e bons homens tem se agarrado a essa baixa visão da Regeneração advertida por mim.[8] Mas quando a doutrina do eterno Evangelho está em jogo, não posso chamar nenhum homem de mestre. As palavras do velho filósofo nunca devem ser esquecidas: Eu amo Platão, eu amo Sócrates, mas amo a verdade mais do que a ambos”. Digo sem hesitar que aqueles que defendem a visão de que existem duas regenerações, não são capazes de trazer nenhum texto claro que comprove isso. Acredito firmemente que nenhum leitor da Bíblia jamais encontraria esse ponto de vista; e isso me é suficiente para suspeitar de que essa é uma ideia da cabeça humana. A única regeneração que vejo nas escrituras não é uma mudança de estado, mas de coração. Essa é a visão, mais uma vez afirmo, que o Catecismo da Igreja prega quando fala de “morte para o pecado e novo nascimento para a retidão”, e é nessa visão que eu acredito.

A doutrina diante de nós é de vital importância.  Não é problema de nomes, palavras ou formas sobre o que escrevo.  Se seremos salvos, isso é algo que devemos sentir e saber por experiência, cada um por si só. Tentemos nos familiarizar com isso. Não deixemos que o rumor e a fumaça da controvérsia desvie nossa atenção de nossos corações.  Nossos corações estão mudados? É um trabalho difícil discutir, argumentar e disputar sobre regeneração se, no final, não sabemos nada sobre ela.

II. Deixe-me mostrar, em segundo lugar, a necessidade que temos em ser regeneradores ou nascidos de novo.

Essa necessidade fica mais clara através das palavras do nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro capítulo do evangelho de João.Nada pode ser mais claro e positivo do que o que Ele fala a Nicodemos: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo" (Jo: 3: 3, 7.)

As razões para essa necessidade são o pecado e a corrupção excessiva de nossos corações primitivos. As palavras de Paulo aos Coríntios são perfeitas: Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura (I Co 2: 14.) Assim como os rios correm para a foz, faíscas voam pelos céus e pedras caem no chão, assim o coração do homem naturalmente se inclina para o mal. Amamos os inimigos de nossas almas e odiamos os amigos delas. Nós chamamos o bem de mau e o mau de bom. Regozijamo-nos no pecado, mas não vemos prazer algum em Cristo. Não apenas cometemos pecado, mas também o amamos. Não precisamos somente limpar-nos da culpa do pecado, mas também precisamos ser libertos de seu poder. O tom natural, o preconceito e a correnteza de nossas mentes devem ser completamente alterados. A imagem de Deus, que foi manchada pelo pecado, deve ser restaurada. A desordem e a confusão que reina em nós devem ser posta de lado. As primeiras coisas já não devem mais ser as últimas, nem as últimas as primeiras. O Espírito deve deixar entrar a luz em nossos corações, colocar tudo em seu devido lugar e criar coisas novas.

Sempre deve ser lembrado que existem duas coisas distintas que o Senhor Jesus Cristo faz para todo pecador salvo por Ele. Ele o lava de todos os seus pecados com o Seu próprio sangue e dá o perdão de graça: isso é justificação. Ele coloca o Espírito Santo no seu coração e faz dele uma pessoa completamente nova: isso é regeneração.

Ambas são absolutamente necessárias para a salvação. A mudança de coração é tão necessária quanto o perdão; e o perdão é tão necessário quanto a mudança de coração. Sem o perdão, não temos nem o direito nem o título para irmos ao céu. Sem a mudança, não deveríamos estar reunidos nem prontos para desfrutar do céu, mesmo se chegarmos nele.

Regeneração e justificação nunca andam separadas.  Nunca são encontradas isoladas.  Todo homem justificado também é regenerado, e todo homem regenerado é justificado.  Quando o Senhor Jesus Cristo dá ao homem remissão dos pecados, Ele também dá arrependimento.  Quando Ele concede paz com Deus, Ele também concede "poder para se tornar filho de Deus”.  Existem duas grandes máximas do glorioso Evangelho que nunca devem ser esquecidas.  Uma é: “Quem crer e for batizado será salvo (Mc 16:16.), a outra: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle (Rm 8: 9.)

O homem que nega a necessidade universal da regeneração sabe pouquíssimo sobre a corrupção do coração.  Aquele que fantasia que o perdão é tudo o que precisamos para chegarmos ao céu, e não vê que o perdão sem a mudança de coração é um presente inútil, é um cego.  Bendito seja Deus, pois ambos nos são oferecidos gratuitamente pelo Evangelho de Cristo e porque Jesus está apto e disposto a nos dar tanto um, quanto outro!

A A grande maioria das pessoas no mundo não vêem nada, não sentem nada e não sabem nada de religião como deveriam.  Como e por que isso ocorre, não é a presente questão.  Apenas a coloco no consciente de cada leitor deste volume. Não é isso verdade?

Diga-lhes sobre o pecado em muitas ações que eles praticam continuamente, e o que é geralmente a resposta? "Eles não vêemmal algum".

Avise-os sobre o grande perigo pelo qual suas almas passam, o pouco tempo que tem, a proximidade da eternidade, a incerteza da vida, a realidade do julgamento. Eles não sentem medo.

Pregue-lhes sobre a necessidade de um Salvador poderoso, amoroso e divino e sobre a impossibilidade de serem salvos do inferno, exceto pela fé nEle. Tudo cai de pisado e morto em seus ouvidos. Eles não vêem tamanha barreira entre eles e o céu.