Tratado escrito por
J. C. Ryle
“Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”. (Lucas 13:24)
Uma vez um homem fez ao nosso Senhor Jesus Cristo uma pergunta muito séria. Perguntou-lhe:“Senhor, apenas algumas pessoas serão salvas?”.
Não sabemos quem foi esse homem. Desconhecemos quais foram os motivos para que ele fizesse essa pergunta. Talvez quisesse satisfazer uma curiosidade qualquer, talvez quisesse apenas uma desculpa para não procurar por si mesmo a salvação. O Espírito Santo omitiu tudo isso de nós: o nome e o motivo do homem que procurava essas informações foram ambos vetados.
Mas a importância da resposta do Senhor a essa pergunta é muito clara. Jesus aproveitou a oportunidade para direcionar as mentes de todos que estavam ao Seu redor ao claro dever que cada um tinha. Ele sabia dos inúmeros questionamentos que a pergunta daquele homem havia provocado naqueles corações, Ele viu o que havia dentro deles. "Porfiai”, Ele disse, “por entrar pela porta estreita”. Quer tenham muitos salvos ou poucos, a sua ordem é clara: faça todo esforço para entrar. Agora é o tempo. O dia salvação é agora. Chegará o dia em que muitos procurarão entrar, mas já será tarde e não conseguirão. “Porfiai por entrar pela porta estreita”.
Quero chamar sua atenção para as sérias lições que essas palavras do Senhor Jesus desejam ensinar para nós, e as quais merecem nossa total recordação nos dias de hoje. Tais palavras nos ensinam claramente a poderosa verdade de que é de nossa inteira responsabilidade a salvação de nossas almas, mostram o grande perigo em deixar de lado a necessidade de nos tornarmos verdadeiros cristãos, como muitos tem feito, infelizmente. Em ambos os pontos, o testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo no texto é bem claro. Ele, que é o Deus eterno e sempre proferiu sábias palavras, disse-nos a todos nós “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão” (Lucas 13:24).
I. Eis aqui uma "descrição” para se chegar à salvação. Jesus a chama de “porta estreita”.
II. Eis aqui uma “ordem” clara. Jesus diz, “Porfiai por entrar".
III. Eis aqui uma "profecia” assustadora. Jesus diz “Muitos procurarão entrar, e não poderão”.
Que o Espírito Santo floresça o tópico dessa mensagem nos corações de todos os ouvintes hoje presentes! Que todos os que me escutam, experimentem a verdadeira salvação, obedecendo a ordenança do Senhor a fim de serem salvos no grande dia da segunda vinda de Cristo!
I. Eis aqui uma "descrição” para se chegar à salvação. Jesus a chama de “porta estreita”.
Existe uma porta que nos leva ao perdão, à paz com Deus e ao céu. Quem entrar por essa porta será salvo. Com grande certeza, essa porta nunca foi tão necessária quanto hoje.
O pecado é uma montanha enorme entre o homem e Deus. Como a escalará o homem?
O pecado é uma parede altíssima entre o homem e Deus. Como passará o homem por ela?
O pecado é um grande abismo entre o homem e Deus. Como poderá o homem atravessá-lo?
Deus está no céu, santo, puro, espiritual, imaculado, iluminado, sem sinal algum de escuridão. Ele não tolera o que é maligno e nem olhar para o pecado. O homem é como um verme, rastejando-se na terra por alguns anos – pecaminoso, corrupto, errado, defeituoso – uma criatura cuja imaginação é dominada pelo mal e cujo coração é, acima de tudo, enganoso e desesperadamente mau. Como poderão Deus e o homem ficarem juntos? Como poderá o homem aproximar-se de seu Criador sem sentir medo ou vergonha? Bendito seja Deus, pois há uma forma! Há um caminho. Há uma trajetória. Há uma porta. É a porta falada nas palavras de Cristo, “a porta estreita”.
Essa porta foi “feita para os pecadores pelo Senhor Jesus Cristo”. Por toda a eternidade, Ele prometeu que a faria.Na plenitude do tempo, Ele veio ao mundo e a criou, por meio de Sua própria morte reconciliadora na cruz. Através dessa morte, Ele deu uma penitência para o pecado humano, pagou a dívida humana para com Deus e enterrou todos os castigos do homem. Ele construiu uma porta à custa de Seus próprios sangue e corpo. Ele ergueu uma escada na terra, cujo topo alcançava o céu. Ele fez uma porta pela qual os piores dos pecadores pudessem entrar na santa presença de Deus sem temer. Ele abriu um caminho pelo qual o mais vil dos homens, acreditando Nele, poderia se aproximar de Deus e ter paz. Ele nos afirma “Eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á" (João 10:9). "Eu sou o caminho, ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). “No qual”, diz Paulo, “temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé Nele" (Efésios 3:12). Deste modo foi criada a porta para a salvação.
Essa porta é chamada de “a porta estreita” e tem um motivo para isso. Para algumas pessoas, ela é estreita, comprimida e difícil de passar; e assim continuará sendo, enquanto o mundo existir da forma como é. É estreita para todos que amam o pecado e estão determinados a não partir sem ele. É estreita para todos aqueles que depositaram suas alegrias nesse mundo e buscam primeiro os prazeres e recompensas mundanos. É estreita para todos que tem aversão a dificuldades e não estão dispostos a tomar suas dores e fazer sacrifícios pelas suas almas. É estreita para todos os que gostam de companhia e querem manter-se com a multidão. É estreita para todos os que são farisaicos e pensam que são boas pessoas e merecem ser salvas. Para todos, a maravilhosa porta feita por Cristo é estreita e comprimida. Em vão eles tentam passar por ela. A porta não os tolera. Deus não está relutante em recebê-los e seus pecados não são tantos assim para não serem perdoados, mas eles não querem ser salvos da maneira de Deus. Milhares, por muitos e muitos séculos, tentaram fazer do caminho à porta mais largo, milhares trabalharam e labutaram pesadamente a fim de chegarem ao céu de sua própria maneira. Mas a porta nunca muda. Ela não se expande, ela não vai se esticar para acomodar um homem em detrimento de outro. Ela ainda é a porta estreita.
Tão estreita quanto essa porta possa ser, continua sendo “a única pela qual homens e mulheres podem entrar no céu”. Não há porta dos fundos, não há uma segunda estrada, não há uma brecha ou uma parte mais baixa na parede. Todos os que são salvos, assim o serão apenas por meio de Cristo e pela fé Nele. Ninguém se salvará apenas por arrepender-se. A tristeza de hoje não apaga nossas falhas de ontem. Ninguém será salvo pelas suas boas obras. As melhores obras que alguém pode fazer é um pouco melhor do que pecados impressivos. Ninguém será salvo apenas por ir à igreja, ler a Bíblia, orar, participar da Ceia do Senhor e honrar o seu dia. Quando fazemos tudo isso, continuamos sendo nada, apenas pobres servos descartáveis. É perca de tempo buscar qualquer outro caminho para a vida eterna. Homens e mulheres podem olhar para a direita ou esquerda e viverem conforme seus próprios métodos, mas eles nunca encontrarão outra porta. Homens e mulheres orgulhosos, se quiserem, podem não gostar da porta. Homens e mulheres depravados podem escarnecer dela e fazer piadas dos que a utilizam. Homens e mulheres preguiçosos podem reclamar que o caminho é árduo. Mas homens e mulheres não descobrirão outro meio para a salvação, a não ser a fé no sangue e na retidão do Redentor crucificado. Uma porta se posiciona entre nós e o céu, ela pode ser estreita, mas é a única. Devemos ou entrar para o céu através dessa porta estreita ou não entrar de forma alguma.
Tão estreita quando essa porta possa ser, continua sendo “uma porta sempre disposta a abrir”. Nenhum pecador, de qualquer tipo, está proibido de se aproximar, quem quiser, poderá entrar e ser salvo. Há apenas uma condição para ser aceito: que você realmente sinta e odeie seus pecados, desejando ser salvo por Cristo à Sua maneira. Você está realmente ciente de sua culpa e maldade? Você verdadeiramente tem quebrantado e contristado seu coração? Olhe para a porta da salvação e entre. Ele, que a ergueu, declara “e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).
A questão a ser considerada não é se você é um grande ou pequeno pecador, se você é eleito ou não, se você é convertido ou não. A questão é simplesmente essa: “Você sente e odeia seus pecados?”. Você se sente pesado e oprimido? Você está disposto a colocar sua vida nas mãos de Deus? Se esse é o caso, então a porta se abrirá para você. Venha hoje. Por que você permanece aí fora?
Tão estreita quanto essa porta possa ser, ela continua sendo “a única pela qual milhares e milhares já passaram e foram salvos”. Nenhum pecador jamais voltou atrás e disse que era muito ruim para ser aceito, quando vinha enojado por seus pecados. Pessoas de todos os tipos foram recebidas, limpas, lavadas, perdoadas, vestidas e feitas herdeiras da vida eterna. Algumas delas não pareciam que seriam admitidas, você e eu talvez tenhamos pensado que elas eram muito pecadoras para serem salvas. Mas Ele, que ergueu a porta, não as recusou. Assim que bateram, Ele deu ordens para que elas pudessem entrar.
Manassés, rei de Judá, foi a essa porta. Ninguém era pior do que ele naquele tempo. Ele havia desprezado o exemplo e os conselhos de seu pai Ezequias. Ele ajoelhou-se para ídolos. Ele encheu Jerusalém de carnificina e crueldades. Ele assassinou seus próprios filhos. Mas assim que seus olhos se abriram para seus pecados e ele correu até a porta, buscando por perdão, ela abriu-se e ele foi salvo.
Saulo, o fariseu, foi até essa porta. Ele blasfemou contra Cristo e perseguiu Seus seguidores. Ele trabalhou incessantemente a fim de impedir o progresso do evangelho. Mas assim que seu coração foi tocado e ele viu sua culpa, correndo para a porta e buscando por perdão, imediatamente ela se abriu e ele foi salvo.
Muitos dos judeus que crucificaram nosso Senhor, foram até a porta. Eles foram, verdadeiramente, pecadores atrozes. Eles recusaram e rejeitaram seu próprio Messias. Eles O entregaram a Pilatos e rogaram para que Ele fosse crucificado. Eles preferiram liberar Barrabás e deixar que o Filho de Deus fosse morto. Mas no dia em que seus corações se convenceram da verdade, através da pregação de Pedro, eles foram direto à porta, buscar por perdão, e imediatamente ela se abriu e eles foram salvos.
O carcereiro em Filipos buscou essa porta. Ele era um homem ímpio, cruel e duro. Ele fez tudo o que estava a seu alcance para tratar Paulo e seu companheiro asperamente. Ele os trancou numa prisão e prendeu seus pés num tronco, mas quando sua consciência se ergueu, por causa do terremoto, e sua mente logo se iluminou devido aos ensinamentos de Paulo sobre a Palavra de Deus, ele correu para a porta, buscando por perdão, e ela imediatamente se abriu, o salvando.
Mas por que precisaria eu dar apenas exemplos bíblicos? Por que não contaria sobre a multidão que já foi à “porta estreita”, desde os tempos dos Apóstolos, e passaram por ela e foram salvos? Milhares de pessoas de todos os tipos, classes, idades – educados ou não, ricos ou pobres, jovens ou velhos - foram até a porta e a encontraram aberta, passaram por ela e ganharam paz de espírito. Sim, milhares e milhares de pessoas ainda vivas provaram a efetividade dessa porta e encontraram nela o caminho para a verdadeira felicidade. Nobres e plebeus, comerciantes e banqueiros, soldados e marinheiros, fazendeiros e operários, trabalhadores qualificados ou não, ainda estão na terra e encontraram a porta estreita como sendo um caminho para a alegria e estrada para a paz. Eles não deram um relatório ruim sobre o que viram através da porta. Eles virão que o jugo de Cristo era suave e Seu fardo, leve. A única tristeza deles era porque poucos entravam e seu arrependimento era por não haverem entrado antes.
Essa é a porta pela qual quero que todos vocês entrem. Não quero que você simplesmente vá à igreja, mas que vá com todo o coração e alma para a porta da vida. Não quero que você apenas creia que existe essa porta e que pense bem dela, mas que entre por ela através da fé e seja salvo.
Pense que privilégio é ter uma porta como essa! Os anjos que não permaneceram fiéis a Deus, caíram e nunca mais se levantaram. Para eles, não havia nenhuma porta de escape aberta. Milhões de pagãos nunca sequer ouviram sobre o caminho para a vida eterna. O que eles teriam dado, se pudessem ter ao menos ouvido um sermão sobre Cristo? Os judeus no Velho Testamente viram a porta vagamente e de longe. “Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro santuário” (Hebreus 10:8). Você tem a porta aberta claramente perante seus olhos, você tem Cristo e a salvação eterna oferecidos a você e nunca mais ficará perdido, sem saber para onde ir. Considere quão misericordioso isso é! Atente-se para que você não despreze a porta e pereça na descrença. Infinitamente melhor seria se você não tivesse tomado ciência dessa porta do que, tendo ouvido falar nela, permanecer do lado de fora. Como você escapará se negligenciar tamanha salvação?
Pense na pessoa cheia de gratidão que você seria, caso tivesse entrado por essa porta estreita. Ser uma alma justificada, perdoada e absolvida, estar pronto para doenças, morte, julgamento e eternidade, sempre ser provido por ambos os mundos. Certamente isso seria um motivo para adoração diária. Verdadeiros cristãos devem ser mais agradecidos do que o que são. Acredito que poucos se lembram do que realmente eram por natureza e quão devedores são à graça. Um pagão observou que cantar hinos de adoração era uma marca especial dos cristãos antigos. Seria bom para os cristãos dos dias atuais saberem mais sobre essa disposição mental. Não há evidência alguma de um estado de mente sadia, quando há muita reclamação e pouca adoração. É uma misericórdia maravilhosa haver uma porta para a salvação, mas é uma misericórdia ainda maior quando somos ensinados a entrar por ela e sermos salvos.
II. Em segundo lugar, eis aqui uma ordem clara. Jesus nos diz: “Porfiai por entrar pela porta estreita”.
Sempre há muito a ser aprendido numa única palavra da Escritura. As palavras do nosso Senhor Jesus em particular, são sempre motivos para pensarmos. Eis aqui uma palavra que exemplifica muito bem o que estou falando. Vejamos o que o grande Mestre pode nos ensinar através da palavra “Porfiai”.
“Porfiai” nos ensina que devemos usar de meios diligentemente, se queremos que nossas almas sejam salvas. Existem meios apontados por Deus para nos ajudar em nossos esforços em nos aproximarmos Dele. Existem maneiras pelas quais devemos andar, se queremos ser encontrados por Cristo. Adoração pública, leitura da Palavra, ouvir a pregação do evangelho, é isso a que me refiro. Eles permanecem, como sempre, no meio entre nós e Deus. Sem dúvida alguma, ninguém pode mudar seu próprio coração ou apagar seus pecados ou fazer-se aceitável a Deus, mas digo-lhes uma coisa, se não pudéssemos fazer nada, a não ser ficarmos parados, Cristo não nos haveria dito “Porfiai".
“Porfiai” nos ensina que homens e mulheres são livres e prestarão contas com Deus como adultos responsáveis.O Senhor Jesus não nos diz para esperarmos e apenas sentir, aguardar e desejar. Ele nos diz "Porfiai”. Eu chamo de religião inútil aquela que nos ensina a nos contentarmos com os dizeres “não podemos fazer nada por nós mesmos", fazendo com que as pessoas continuem em pecado. Isso é tão ruim quanto ensinar as pessoas que não é culpa delas se não são convertidas e que a culpa é inteiramente divina, caso não sejam salvas. Não encontro tal teologia no Novo Testamento. Escuto Jesus dizer aos pecadores “Venha, arrependa-se, creia, trabalhe, pergunte, bata”. Vejo claramente que nossa salvação, do início ao fim, é inteiramente “de Deus”, mas não vejo com menos clareza que nossa ruína, se perdido, seja inteiramente nossa. Acredito que pecadores são sempre vistos como responsáveis, e não vejo prova maior disso do que o significado expresso em "Porfiai".
“Porfiai” nos ensina que homens e mulheres devem esperar muitas adversidades e batalhas difíceis, caso tenham suas almas salvas. E isso, falo por experiência própria, é verdade. Não há “ganho sem perda” nos assuntos espirituais e terrenos. Esse leão que ruge, o diabo, nunca deixará nenhuma alma escapar-se dele sem uma luta. O coração, que é naturalmente carnal e deseja coisas terrenas, nunca se converterá para a vida espiritual sem que haja luta diária. O mundo, com todas as suas oposições e tentações, nunca será superado sem conflitos. Mas por que isso nos surpreenderia? Quantos acontecimentos maravilhosos já foram realizados sem problema algum? O crescimento não ocorre sem arar e semear; riqueza não é obtida sem cuidado e atenção, sucesso na vida não é alcançado sem privação e trabalho; e céu, acima de tudo, não é conseguido sem a cruz nem a batalha. “Se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” (Mateus 11:12). Homens e mulheres devem “porfiar”.
“Porfiai” nos ensina que vale a pena buscar a salvação.Se há algo nesse mundo que merece nossa luta, esse algo é a prosperidade de nossa alma. Os motivos pelos quais a grande maioria dos humanos "porfiam” são comparativamente pobres e triviais. Riqueza, grandeza, classe e educação são “coroas corruptíveis”. As coisas incorruptíveis estão todas além da porta estreita. A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, a esperança de um futuro bom no porvir, a sensação de que o Espírito Santo habita em nós, a consciência de que somos perdoados e estamos salvos, preparados, seguros, providos por toda a eternidade, não importa o que aconteça. Essas sim são riquezas verdadeiras e eternas. É bom e vantajoso que o Senhor Jesus nos alerte a “porfiar”.
“Porfiai” nos ensina que a preguiça para com o cristianismo é um grande pecado. Não é apenas um infortúnio, como muitos acreditam, algo pelo qual as pessoas devem ter dó e arrependimento. É algo que vai muito além disso. É a quebra de um mandamento muito claro. O que será dito do homem ou da mulher que violar a lei de Deus e fizer algo que Deus ordena claramente a não fazer? Para isso, há apenas uma resposta: eles são pecadores. “Qualquer que comete pecado, também comete iniquidade” (I João 3:4). E o que será dito do homem ou da mulher que negligenciar sua alma e não fizer esforço algum para entrar pela porta estreita? Para isso, há apenas uma resposta. Eles estariam omitindo um dever explícito. Cristo diz “Porfiai”, mas, olhem, eles continuam parados!
“Porfiai” nos ensina que todos aqueles do lado de fora da porta estreita estão em grande perigo. Eles perigam perderem-se e se atormentarem para sempre. Existe apenas um passo entre eles e a morte. Se a morte os encontrar em sua condição presente, eles perecerão sem esperança alguma. O Senhor Jesus viu isso claramente. Ele sabia da incerteza da vida e da brevidade do tempo; Ele se alegra em ver pecadores se apressarem e não se atrasarem, para que se livrem de sua alma pecaminosa antes que seja tarde demais. Ele fala como aquele que viu o diabo aproximar-se deles diariamente e os dias de suas vidas decaírem gradualmente. Ele zelaria para que tivessem o cuidado de não esperar demasiado, por isso, Ele grita, “porfiai”.
Essa palavra, "porfiai", levanta pensamentos sérios na minha mente. Ela é cheia de condenação para milhares de pessoas batizadas. Ela condena os meios e as práticas de multidões que se auto-professam cristãos. Existem muitos que não juram, nem assassinam, nem cometem adultério, nem roubam ou mentem, mas há algo que, infelizmente, não pode ser dito sobre eles, não se pode dizer que porfiam a fim de serem salvos. O espírito da “inatividade” domina seus corações em tudo quando o assunto é cristianismo. Eles estão muito ocupados com as coisas do mundo, levantam-se cedo, dormem tarde, trabalham, labutam, ocupam-se, são cuidadosos, mas a única coisa que eles precisam realmente executar, não o fazem: eles nunca "porfiam" pelas coisas de Deus.
1. O que direi sobre aqueles que são irregulares sobre a adoração pública de Deus aos domingos?
Existem milhares que se adéquam a essa descrição. Algumas vezes, quando se sentem inclinados, vão à igreja e atendem ao serviço religioso; em outras, ficam em casa e lêem um livro, deitam-se, revêem suas contas ou buscam por alguma diversão. Isso é estar porfiando? Eu falo a homens e mulheres de senso comum. Deixe-os julgar o que digo.
2. O que direi daqueles que vem regularmente adorar a Deus aos domingos, mas apenas pró-forma?
São muitas as pessoas do nosso país que se encontram nessa condição. Seus pais a ensinaram a vir; o costume sempre foi vir, não seria respeitoso deixá-lo de lado. Quando eles comparecem à igreja, nem sequer se importam em adorar a Deus. Se escutam sobre lei ou evangelho, verdade ou mentira, isso dá no mesmo para eles, até porque não se lembram de nada depois. Tendo em vista que tiram seus moldes religiosos, assim como suas roupas de domingo, e voltam ao velho mundo. Isso é estar porfiando? Eu falo a homens e mulheres de senso comum. Deixe-os julgar o que digo.
3. O que direi daqueles que raramente – ou nunca – lêem a Bíblia?