Em seu livro, A Casket of Cameos (Um baú de camafeus), F. W. Boreham faz uma reflexão sobre a fé do “Pai Tomás”, personagem do romance de Harriet Beecher Stowe. O velho escravo fora arrancado de sua velha casa em Kentucky, e colocado num vapor, sendo levado para um lugar desconhecido.
Foi um momento crítico para ele, e o autor faz o seguinte comentário: “A fé do Pai Tomás vacilou”. Isso parece indicar que, para ele, deixar para trás a Tia Cloé e os filhos, bem como os velhos conhecidos era o mesmo que estar deixando Deus.
Em dado momento ele adormece e tem um sonho. “Sonhou que estava em sua casa, e que a pequena Eva lia para ele um trecho da Bíblia, como sempre fazia. Ele até escutava a voz dela: “Quando passares pelas águas eu serei contigo”. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu salvador.”.
E Boreham continua:
“Pouco depois, o pobre escravo estava-se contorcendo debaixo das cruéis chicotadas de seu novo dono. “Mas”, diz a escritora, “as lambadas atingiram apenas o homem exterior, e não o coração, corno acontecera anteriormente”. Tom permaneceu submisso ao seu dono, mas Legree não pôde deixar de perceber que perdera todo o domínio sobre sua vítima. Assim que Tom entrou em sua cabana, Legree virou o cavalo com um movimento rápido, e pela mente daquele tirano passaram aqueles expressivos lampejos que tantas vezes fazem brilhar raios de consciência nas almas negras e más. Ele entendeu claramente que fora Deus quem se interpusera entre ele e Tom, e naquele instante soltou uma blasfêmia.”
UM HOMEM CHAMADO
É essa firmeza que procuramos quando queremos distinguir um HOMEM “impelido” de uma HOMEM “chamado”. Na hora em que os impelidos estão rompendo em frente eles podem até pensar que possuem essa qualidade. Mas muitas vezes, nos momentos em que menos esperam, aparecem situações adversas, e pode haver um colapso. Mas os chamados têm uma força que vem de dentro, possuem uma perseverança poder, que oferecem resistência aos golpes externos.
JOÃO, O EXEMPLO DE UM HOMEM CHAMADO
João Batista é um ótimo exemplo de um homem chamado. Ele teve a audácia de dizer aos judeus que eles tinham que parar de justificar-se diante de Deus, usando de seu senso de superioridade racial, e enxergar a necessidade que tinham de arrepender-se moral e espiritualmente. O batismo, dizia ele, seria uma prova de que seu arrependimento era genuíno.
Os Homens Chamados Entendem o Princípio da Mordomia.
Observemos que o conceito que João tinha da vida era segundo o princípio da mordomia. Aqueles que foram interpelá-lo fizeram suas perguntas com base na suposição de que aquele povo pertencia a João, que ele os tinha conquistado para si com seu carisma pessoal. E, se assim o fosse, estava perdendo algo: seu estrelato como profeta.
Mas não era por essa perspectiva que João via as coisas. Ele nunca possuíra nada, e muito menos o povo. Ele pensava como um mordomo cristão, e isso é uma qualidade da pessoa “chamada”. A função de um mordomo é simplesmente cuidar de algo que pertence a outrem, até que o proprietário volte para reaver sua propriedade.
Os Homens Chamados Sabem Exatamente Quem São.