sexta-feira, maio 25

Cristo morreu por seu povo - C. H. Spurgeon


Quando Cristo morreu por Seu povo na cruz, Ele assumiu todas as conseqüências do pecado dele em Si próprio. Jesus Cristo era o Filho amado de Deus. Mas quando nossos pecados caíram sobre Ele, Ele sentiu que Deus O tinha desamparado, que Ele tinha sido deixado sozinho. Ele clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mat. 27:46). Não era possível que Jesus Cristo pudesse fruir da presença de Deus quando Ele foi feito pecado por nós. Ele Se encontrava em profundas trevas quando a presença de Seu Pai foi afastada. Não podemos descrever a dimensão incomensurável do sofrimento de Cristo quando Deus fez cair sobre Ele "a iniqüidade de nós todos". A morte é o castigo pelo pecado. Cristo morreu por nós. A Bíblia diz que Cristo, "inclinando a cabeça, rendeu o espírito" (João 19:30); e "... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz" (Fil. 2:8).

Reflitam agora sobre o que a morte de Cristo significou para nós, Seu povo eleito. Ele pagou nossa dívida. Todas as pessoas pelas quais Ele morreu estão livres. A justiça de Deus está satisfeita. Deus não nos pedirá mais pagamento pelos nossos pecados.

Vamos considerar agora a palavra "nós". "... o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos." Cremos que há um valor infinito na expiação de Cristo. Cremos que, por causa da morte de Cristo, há um convite genuíno a todos os homens: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa" (Atos 16:31). Contudo, devemos crer também que Cristo morreu apenas por aqueles que Deus escolheu, Seu povo eleito. Como seria possível que Cristo fizesse a expiação dos pecados daqueles que nunca creram nEle e que vão para o inferno? Não adianta dizer: "Mas eles não aceitariam a expiação." Pergunto: "A expiação foi satisfatoriamente feita para eles, ou não?" Certamente acontecerá que todos aqueles pelos quais Cristo fez a expiação de fato serão salvos. Ou então a obra de Cristo foi insatisfatória, até que um homem, crendo, lhe dê valor. Isso é inconcebível.

Todo homem que crê em Cristo será salvo. Cristo, pela Sua morte, fez a expiação total por aqueles que crêem. Deus seria injusto se castigasse os crentes quando Eleja castigou Seu próprio Filho pelos pecados de Seu povo. Esta segurança contra o castigo é como uma rocha sobre a qual os cristãos podem se sustentar. É um lugar de repouso seguro para todos aqueles que crêem em Cristo.

terça-feira, maio 8

A metáfora do resgate - John Stott (1921-2011)



Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Marcos 10.45


Marcos registra três ocasiões distintas em que Jesus predisse seus sofrimentos e sua morte. Essa é a terceira. Ela é particularmente importante porque é a interpretação do próprio Senhor acerca da cruz. Portanto, é razoável supor que, se houve alguém que tenha entendido o significado de sua morte, esse alguém foi Jesus.

Para começar, ele enfatizou que sua morte seria voluntária. Anteriormente ele a havia descrito na forma passiva, a saber, que ele seria traído, rejeitado e morto. Agora, no entanto, ele diz que o Filho do homem havia vindo não para ser servido, mas para servir e dar a si mesmo. Em outras palavras, ele havia vindo não prioritariamente para viver a sua vida, mas para dá-la como o ápice de toda uma vida de serviço.

Em especial, continuou Jesus, ele havia vindo para dar a sua vida "como resgate por todos" (ITm 2.6). O que então podemos, de forma legítima, deduzir da metáfora do resgate? Primeiro, ela dá a entender que não somos capazes de assegurar a nossa libertação. Segundo, ela indica o valor do preço pago pela nossa liberação.

Como o apóstolo Pedro escreveu mais tarde, nós fomos redimidos não com prata nem ouro, "mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito" (1 Pe 1.1 9). A Páscoa está de modo bem claro na mente de Pedro. Assim como os primogênitos israelitas foram salvos pela morte de um cordeiro substituto, Cristo morreu para o nosso resgate, em nosso lugar. Terceiro, ela implica que, tendo sido adquiridos por Cristo, nós agora pertencemos a ele.

quinta-feira, abril 12

Expiação Eficaz - C. H. Spurgeon





Em Levítico somos alertados que "é o sangue que fará expiação pela alma" (17:11). No regime da lei Deus nunca perdoou pecado à parte do sangue. Isso era uma constante: "sem o derramamento de sangue não há remissão" (Heb. 9:22). Farinha e mel, temperos doces e incensos, de nada valiam sem o derramamento do sangue. Não havia promessa de remissão baseada em esforço futuro ou profundo arrependimento; sem o derramamento de sangue o perdão nunca viria. O sangue, e somente o sangue, tirava o pecado e permitia ao homem chegar-se ao trono de Deus para O adorar, porque o sangue o tornara um com Deus. O sangue é a grande expiação. Não há esperança de perdão para o pecado de qualquer homem, a não ser que sua punição seja sofrida totalmente. Deus precisa punir o pecado. A punição do pecado não e um arranjo arbitrário, mas faz parte da constituição de um governo moral. Deus nunca Se desviou disso e nunca o fará. "Ele, de modo algum, inocentará o culpado" (Ex. 34:7).

Cristo, portanto, veio e foi punido no lugar de todo o Seu povo. Incontáveis são as almas pelas quais Jesus derramou Seu sangue. Ele fez uma expiação completa pelos pecados de todos os eleitos. Por cada homem nascido de Adão que crê ou irá crer nisso, como também por aqueles levados para a glória antes que sejam capazes de crer, Cristo fez uma expiação perfeita; e não há outro plano pelo qual os pecadores possam se tornar um com Deus, exceto pelo sangue, pelo precioso sangue de Jesus. Eu posso oferecer sacrifícios, mortificar meu corpo, ser batizado, participar das ordenanças, orar de joelhos até que endureçam; posso ler palavras devocionais e até decorá-las, celebrar missas, adorar em uma língua ou em cinqüenta línguas; porém não posso ser reconciliado com Deus a não ser pelo sangue de Cristo, pelo "precioso sangue de Cristo".